Problemas mamários puerperais: Fatores determinantes para o sucesso do Aleitamento Materno


Olá profissionais de enfermagem! Com certeza todos nós concordamos que o leite materno é o melhor alimento para o bebê, não é mesmo?

São inúmeras as discussões que norteiam a relação entre as práticas dos profissionais de saúde e a amamentação, já que a ciência é unânime em reconhecer o aleitamento materno como fonte segura de nutrição para o ser humano, e tais perspectivas baseiam-se desde o âmbito biológico até as políticas públicas de saúde (ARAÚJO; ALMEIDA, 2007).

O Ministério da Saúde em estudo nas capitais brasileiras e no Distrito Federal concluiu que 87% das crianças são amamentadas no primeiro mês de vida, mas apenas 35% destas recebem o leite materno, predominando assim, a utilização do leite industrializado como fonte alimentar (BRASIL, 2009).

Um dos principais motivos de desmame precoce, além da falta de conhecimento materno acerca dos benefícios e mitos do aleitamento, encontra-se as intercorrências mamárias na fase puerperal. Estas ocorrem já nos primeiros momentos de amamentação, sendo fatores determinantes para a continuidade, ou não, do aleitamento materno (CASTRO et al, 2009).

Para a garantia de sucesso na amamentação os profissionais de saúde devem-se ater quanto à prevenção dos problemas mamários puerperais, como mastites, fissuras mamilares e ingurgitamentos mamários, sendo para isso imprescindível o acompanhamento, a orientação e o apoio às puérperas durante a fase de aleitamento materno (CORAZZA et al, 2008). Para isso, é estritamente necessário que os profissionais da área conheçam as causas fisiológicas, os sinais e sintomas de cada problema. 



  • Traumas ou fissuras mamilares


A fissura mamilar é o problema mamário mais comum durante o período puerperal, resultando em muita dor durante a amamentação. Tem como causa a pega e posicionamentos de amamentação inadequados, entretanto podem ocorrer também devido disfunções orais da criança, falta de preparo dos mamilos, uso de cosméticos, uso incorreto de bomba para ordenha e higiene inadequada (CORAZZA et al, 2008; SOUZA et al, 2009).

Esta intercorrência pode vir a se apresentar nos mamilos em forma de eritema, bolhas, edema, equimoses, fissuras e manchas que podem ser brancas, amarelas ou escuras (CORAZZA et al, 2008; SOUZA et al, 2009).



  • Ingurgitamento mamário


O ingurgitamento mamário pode ter início já no terceiro dia após o parto e pode durar até o décimo dia. As causas mais frequentes são inicio tardio da amamentação, mamadas muito espaçadas, curta duração ou restrição das mamadas, uso de suplementos e sucção deficiente do bebê (CORAZZA et al, 2008).

O Ingurgitamento é classificado como fisiológico ou patológico:

Ingurgitamento Mamário Fisiológico - apresenta-se discretamente e caracteriza apenas a descida do leite, ou seja, é aquele instantâneo que ocorre devido a mamadas espaçadas, mas cessa logo após a amamentação.

Ingurgitamento Patológico - apresenta sinais e sintomas mais evidentes como distensão tecidual excessiva, vermelhidão e dor. Pode também ocorrer em região areolar, o que dificulta a sucção e piora o quadro.



  • Mastite puerperal


As fissuras nos mamilos são portas de entrada para microorganismos patogênicos, como Staphyloccoccus aureus, Eschechia coli e Streptococcus, que podem levar a um quadro infeccioso nas mamas denominado mastite (SOUZA et al, 2009).

 Os sintomas são semelhantes ao da gripe: febre e mal-estar, aliados à sintomas locais como edema, dor e hiperemia na parte da mama afetada. (CORAZZA et al, 2008). 

As causas mais comuns, que podem levar à mastite, são as mamadas em horários irregulares, redução súbita no número de mamadas, longos intervalos entre elas, uso de chupetas ou mamadeiras, não esvaziamento completo das mamas, produção excessiva de leite e desmame abrupto (SOUZA FILHO; GONÇALVEZ NETO; MARTINS, 2011).

Portanto o sucesso da amamentação é um objetivo desafiador ao profissional de saúde, por envolver muitos aspectos em que a mulher está inserida atualmente. Além da falta de preparo, há a demanda em que se exige mais do que conhecimentos técnicos e científicos, se faz necessário que estes profissionais tenham sensibilidade e habilidade no trato à essas mulheres (ARAÚJO; ALMEIDA, 2007).

E você profissional, considera-se preparado para auxiliar as mães no enfrentamento dos problemas citados? Você já presenciou ou vivenciou um problema mamário? O que têm a nos expor sobre a sua experiência e conteúdo abordado?


Texto escrito pelas monitoras do Programa Proficiência: Heloise Gonçalves Maia e Francielly Bestel


REFERÊNCIAS

ARAÚJO, R. M. A.; ALMEIDA, J. A. G.. Aleitamento materno: o desafio de compreender a vivência. Revista de Nutrição. São Paulo, v.20, n.4, jul/ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732007000400010&lng=pt&nrm=iso > Acesso em: 06 ago. 2012.

CORAZZA, D. et al. Assistência de enfermagem à mastite puerperal. Revista Brasileira de Ciências da Saúde. São Paulo, ano VI, n. 16, abr/jun. 2008. Disponível em: < http://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article /view/376 >. Acesso em: 06 ago. 2012.

CASTRO, K. F. de, et al. Intercorrências mamárias relacionadas a lactação: estudo envolvendo puérperas de uma maternidade pública de João Pessoa, PB. O mundoda Saúde, São Paulo. v. 33. n 4, 2009. Disponível em: <http://www.saocamilo-sp.br/pdf/mundo_saude/70/433a439.pdf >.Acesso em: 06 ago. 2012.BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil. Aleitamento materno e alimentação complementar. Série A. Normas e manuais técnicos. Cadernos de atenção básica, n.23. Brasília: Ministério da Saúde; 2009. . Disponível em: < http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/cab.pdf >. Acesso em: 06 ago. 2012.

SOUZA FILHO,M.l D.; GONÇALVES NETO, P. N.; MARTINS, M. do C. de C.. Avaliação dos problemas relacionados ao aleitamento materno a partir do olhar da enfermagem. Cogitare Enfermagem. Ceará, v.16, n.1, jan/mar. 2011. Disponível em: <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/cogitare/article/viewArticle/21114>. Acesso em: 06 ago. 2012.

SOUZA, M. J. N. de. et al. A importância da orientação à gestante sobre amamentação: fator para diminuição dos processos dolorosos mamários. ConScientige Saúde. São Paulo, v. 2. 2009. Disponível em: < http://www.uninove.br/PDFs/Publicacoes/conscientiae_saude/csaude_v8n2/cnsv8n2_3k1475.pdf >. Acesso em: 06 ago. 2012.


Comentário

avatar maria quitéria maurício de lima
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eu acredito que a maioria das intercorrencias mamárias, são ocasionadas pelo despreparo maternal decorrentes de um pré-natal mal realizado.
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avatar mirta garcia
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muito interesante, porem , gostaria de saber como revolver tais problemas...
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avatar JOSELITA
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PARABENS PELO BELÍSSIMO TRABALHO DE TODA EQUIPE DO PROFICIÊNCIA, OS CONTEÚDOS ABORDADOS ESTÃO DE GRANDE EFICIÊNCIA PARA OS EDUCANDOS E PROFICIOANAIS DE SAÚDE, AGRADEÇO PELA DEDICAÇÃO DE TODOS. OBRIGADA JOSELITA DE BRASÍLIA DF, ESTUDANTE DE ENFERMAGEM.
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avatar SANDRA
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PROBLEMAS MAMÁRIOS PUERPERAIS
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avatar rosa demetrio
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O comentario sobre este assunto foi importante pois deparamos com tais problemas todo o tempo.
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