Atuação da enfermagem frente ao procedimento de cateterismo umbilical

Olá caro colega. Nesse blog vamos discutir sobre o cateterismo umbilical em recém-natos, procedimento que é realizado para obtenção de acesso central venoso ou arterial, através do coto umbilical.

Em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, o cateterismo umbilical é um procedimento comum e essencial no cuidado ao recém-nascido pré-termo, principalmente naqueles que necessitam de infusão contínua e possuem dificuldade para punção de acesso vascular. Além disso, contribui para a estabilização e manutenção de nutrição adequada (COREN, 2011).

Trata-se de um procedimento invasivo que possui diversas finalidades, tais como: infusão de líquidos, monitorização de pressão arterial invasiva, gasometria arterial, intervenção cardíaca, infusão de drogas e trocas sanguíneas (COREN, 2011; BRASIL, 2011). É importante lembrar que o cateterismo umbilical constitui uma escolha em casos emergenciais, não devendo ser escolhido para acesso de rotina, por decorrência das complicações da utilização dessa via. 

Você sabia que no ano de 2011 foi legalizada a realização de cateterismo umbilical como prática privativa do Enfermeiro? Para conhecer mais sobre essa legislação você pode ler a Resolução COFEN n. 388/2011 e também o Parecer COFEN. n. 9/2011. Essas afirmam que a ação de alta complexidade deve ser realizada pelo Enfermeiro, o qual deve estar capacitado para desenvolver tal técnica (COFEN, 2011).

É importante ressaltar que em decorrência da sensibilidade da pele antes do procedimento em prematuros extremos, a antissepsia deve ser feita com solução aquosa de Clorexidina, ou a aplicação de água destilada após o uso da Clorexina alcóolica. Pois, isso reduz os riscos de queimaduras químicas (BRASIL, 2011). 

Segundo a Anvisa - Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (2010), após realizada a sutura do cateter no coto umbilical, a fixação deve ser realizada por meio da técnica da "ponte", de acordo com a figura abaixo:

Figura 1 – Fixação do cateterismo umbilical.

Fonte: ANVISA, 2010.


Conforme vimos anteriormente, esse procedimento deve ser realizado criteriosamente, em caso de extrema necessidade.

Os cateteres umbilicais arteriais devem ser mantidos por no máximo cinco dias e os venosos podem permanecer por até quatorze dias (BRASIL, 2010).

Isto se dá pelo risco de complicações possíveis do procedimento, as quais podem estar relacionadas ao posicionamento do cateter, como alteração na perfusão dos membros inferiores, acidentes vasculares decorrentes de tromboembolismo, vasoespasmo, hipertensão arterial, decorrentes de acidentes com o cateter, como a quebra ou desconexão acidental, e complicações relacionados às infecções (COREN, 2011; BRASIL, 2010). 

Você percebeu como o cateterismo umbilical deve ter atenção especial da equipe de enfermagem? Sendo assim, verifique as ações da equipe de enfermagem que são relevantes para manutenção e cuidado a esse procedimento: 

• Verificar rigorosamente a perfusão, pulso e temperatura de membros inferiores; 

• Manter o cateter e a torneirinha livre de sangue evitando a formação de coágulos e proliferação de microrganismos. Caso haja um coágulo o mesmo deve ser retirado por aspiração e nunca injetando o líquido;

• Registrar todas as infusões ou retirada de líquido do cateter; 

• Realizar o manuseio das conexões com técnicas assépticas, promovendo a desinfecção com gaze e álcool etílico, sempre utilizando luvas;

• Não infundir hemocomponentes e drogas vasoativas no cateter arterial (UNIFESP, 2011).

Dessa forma, caro colega, destacamos o quão importante é sua atuação de forma consciente e cuidadosa frente a esse procedimento que é tão delicado. Você já cuidou de um recém-nascido com cateterismo umbilical? Conhece alguma situação ou complicação desse procedimento? Compartilhe conosco suas experiências e opiniões.


Texto escrito pelos monitores do Programa Proficiência: Diego Nardoto, Elisa de Fátima Borella e Vanessa Evelyn de Mello.


Referências 

COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Pareceres COFEN: n. 9/2011/COFEN/CTNL. Possibilidade do enfermeiro realizar cateterismo umbilical em recém-nascido. Brasília, 2011. Disponível em: <http://coren-df.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1215:no-0092011cofenctnl-possibilidade-do-enfermeiro-realizar-cateterismo-umbilical-em-recem-nascido&catid=80:pareceres-cofen&Itemid=73>. Acesso em: 22 nov. 2012.

COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Nº 388/2011. Normatiza a execução, pelo enfermeiro, do acesso venoso, via cateterismo umbilical. Brasília, 2011. Disponível em: <http://novo.portalcofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3882011_8021.html>. Acesso em 22 nov. 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde.. Brasília, 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_recem_nascido_%20guia_profissionais_saude_v2.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2012.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária- ANVISA. Orientações para Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea. 2010. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/ef02c3004a04c83ca0fda9aa19e2217c/manual+Final+preven%C3%A7%C3%A3o+de+infec%C3%A7%C3%A3o+da+corrente.pdf?MOD=AJPERES>. Acesso em: 22 nov. 2012.

UNIFESP. Universidade Federal de São Paulo. Intervenções de enfermagem no procedimento de cateterismo umbilical. São Paulo, 2011. Disponível em: <http://www.unifesp.br/hsp/testealfa/arquivos/hsp/assist/espec/pediatria/intervencoes%20de%20enf%20proc%20de%20cat%20umb.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2012.

Comentário

avatar fabiana
+3
 
 
tava dando uma lida nesse texto sobre o cateterismo umbilical,não conhecia nem tinha noção achei muito bom aumentou meus conhecimentos,parabens ao cofen!!!
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avatar Silvia Maria
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Não tenho experiência com neonatologia, achei o texto bem interessante.Obrigada!!!
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avatar Camila Rêma Fernandes
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Parabéns pela iniciativa e pela oportunidade que proporcionam a nós Enfermeiros. Excelente conteúdo.
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avatar Fabíola Corral da silva
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Eu também não tenho experiência com neonato, sempre é bom nos atualizar!
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avatar Greziele Stephanie Arruda Santos
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Essas informações são muito importantes para nós enfermeiros para que possamos nos manter atualizados.
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avatar Márcia Pinheiro
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Desconhecia as informações acima, muito bom, Parabéns ao cofen e continue
nos informando e atualizando á toda nossa categoria, obrigado!
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avatar RENATA
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nossa legal sempre acompanha o medico a passar mas nao imaginava que o enfermeiro tbm poderia executar esse procedimento ....
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avatar Graziella Holler
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Adorei saber que nos enfermeiros conseguimos mais essa!!! Parabens ao Cofen. Gostaria de saber se poderiam indicar instituições que ja estão proporcionando cursos de treinamento.
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avatar Luciana Tolentino
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Ótimo texto. É importante a enfermagem avançar em seus conhecimentos técnicos e cientificos. Deixo aqui uma sugestão: que o COREN viabilize cursos de capacitação no assunto e em outros também.
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avatar Marcelo
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muito bom o artigo, extremamente relevante as equipes da neonatologia1
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avatar silvanete queiroz
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sou tecnica de enfermagem e parabens pela abordagem do assunto.
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avatar Graziela Cervato
+1
 
 
Existe algo na literatura que informe se há contra indicação do RN ser posicionado em decúbito ventral com cateter venoso umbilical, relacionado aos riscos de infecção?
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avatar Raquel Moésia
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Não tenho experiência com neonatologia, mas já tinha lido algo sobre o assunto! Parabéns pelas informações compartilhadas, texto ótimo de se ler, muito bom!
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avatar Rita Cabral
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Tudo o que li foi novidade para mim.
Obrigado pelas informações.
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