Violência contra a Mulher: a interferência na assistência à sua saúde.

Nos dias atuais, mesmo com a autonomia e conquistas em vários âmbitos da sociedade por parte das mulheres, muitas ainda, são vítimas da violência doméstica.

As diversas mobilizações para a conquista de direitos, melhores condições de trabalho e reconhecimento marcaram a história da mulher as quais levaram a formalização do dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher, com o intuito de relembrar essas conquistas, reafirmando e promovendo as mudanças que ainda estão por vir.

Desde a metade do século XIX até depois da Primeira Guerra Mundial, houve uma mudança profunda no panorama econômico e cultural do Brasil. A industrialização e a urbanização alteraram a vida cotidiana, particularmente das mulheres, que passaram, cada vez mais, a ocupar espaço nas ruas, a trabalhar fora de casa, a estudar, e a desenvolver tantas outras atividades que anteriormente não lhes eram atribuídas ou permitidas. No entanto, a mulher continuou sofrendo agressões (BLAY, 2003).

Segundo o Decreto nº 1.973, de 1º de agosto de 1996, “qualquer ato ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou mesmo psicológico à mulher, é considerado violência.” Esta é a definição prevista na Convenção Interamericana (também conhecida como “Convenção de Belém do Pará”), de 1994.

Um dos tantos tipos de violência, a conjugal deixou de ser apenas associada com traumas por agressões físicas, pode também ser vista com o aumento de diversos problemas de saúde, tais como: depressão; queixas ginecológicas; gravidez indesejada; Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST's); queixas gastrointestinais; ou dores diversas, fatores estes que são motivos de atenção (MARINHEIRO; VIEIRA; SOUZA, 2006).

Mulheres vítimas de violência seja ela física, sexual ou psicológica utilizam mais as portas de entrada dos serviços de saúde para serem atendidas. Em contrapartida, muitos profissionais que as atendem possuem dificuldade na identificação dessas violências. Além disso, verifica-se ainda o não registro da violência em prontuário como parte do atendimento, para alguns dos casos diagnosticados (SCHRAIBER; D'OLIVEIRA, 1999).

Muitas vezes a mulher não se dispõe a relatar os episódios de violência que sofre, mantendo o problema oculto, dificultando sua detecção e posteriores medidas para tratar o problema. Além disso, a falta de instrumentos de acolhimento e arsenal resolutivo para o problema faz com que os profissionais de saúde, ainda que indiretamente, compactuem com essa invisibilidade (MARINHEIRO; VIEIRA; SOUZA, 2006).

A data comemorativa do Dia Internacional da Mulher deve ser vista como um momento onde houve mobilização para a conquista de direitos iguais perante o sexo masculino e fortalecimento para melhores condições de trabalho e saúde, portanto, é também um momento para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres. 

Faz-se necessário impedir que ocorram retrocessos dos avanços já alcançados com o passar do tempo, e garantir que a luta por direitos iguais seja trabalhada pela sociedade como um todo.

Feliz Dia Internacional da Mulher a todas as mulheres profissionais de Enfermagem!


Texto escrito pela monitora Josiane Hainosz Zablocki.


Referências:

BLAY, E. A. Violência contra a mulher e politicas públicas. Rev. Estud. Av. v.17 n. 49, p. 87-98. São Paulo, set - dez. 2003. Disponivel em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v17n49/18398.pdf>. Acesso em: 07 mar. 2013.

BRASIL. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto nº 1.973, de 1º de agosto de 1996. Promulga a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, concluída em Belém do Pará, em 9 de junho de 1994. Brasília, 1996.  Disponível em:                    <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1996/D1973.htm>. Acesso em: 07 mar. 2013.

MARINHEIRO,  A. L. V.; VIEIRA, E. M.; SOUZA, L. de. Prevalência da violência contra a mulher usuária de serviço de saúde. Rev. Saúde Pública, v. 40 n. 4 . p. 604-10. São Paulo, ago. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n4/08.pdf >. Acesso em: 07 mar.2013.

SCHRAIBER, L. B.; D'OLIVEIRA, A. F.L.P  Violência contra mulheres: interfaces com a saúde. Rev..Interface Comunic. Saúde Educ, v. .3 n. 5, p. 11-26. São Paulo, set.-dez. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/icse/v3n5/03.pdf>. Acesso em: 07 mar. 2013.

Comentário

avatar Sandra Fabiana
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Gostei, muito bom!!!
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avatar Felipe Corrêa
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Muito bom! Esta luta iniciou na Europa oriental e Àsia ocidental e se estendeu pelo mundo, no ocidente virou uma data menos política, mas sempre devemos lembrar que este Dia, é uma data de avanço, onde o ser humano é valorizado, e não o seu gênero, cargo ou função. O seu valor está no que pensa, no que cria, no que deixa para os demais como um benefício. Parabéns à todas as mulheres por sua luta constante e por tudo de bom que pensam, criam, e trazem ao mundo.
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avatar marlene
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gosto muito quando vejo que as iniciativas dos programas sobre as mulheres fazem um bom resultado em relação a vida profissional da mulher, também pessoal.
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avatar Angela Cristina Pereira Silveira
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Ótimo texto, a mulher na grande maioria das vezes não tem coragem de expor a violência sofrida no lar, dificultado o diagnóstico. Cabe a nós profissionais da enfermagem dar o acolhimento necessário a mulher para que esta sinta-se a vontade para expor seus problemas.
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