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Atenção humanizada no processo do nascimento


O processo que envolve o nascimento é um evento marcante e natural, acompanhado por diversos aspectos culturais e visto como um dos momentos mais expressivos da vida. O parto costumava ser um evento íntimo, realizado em domicílio, geralmente envolvendo apenas mulheres e com o apoio constante da família. No século XX, no Brasil, especificamente na década de 40, com a justificativa de reduzir a taxa de mortalidade materna e perinatal, o processo do nascimento foi institucionalizado (BRASIL, 2001). 

O parto passou a ser considerado uma área de atuação médica, retirando o domínio da condução da gestante e entregando-o aos profissionais (KITZINGER, 1996). Isto fez com que com que o processo do nascimento deixasse de ser privativo e familiar, e se tornasse público, possuidor de regras, normas e rotinas (BRUGGEMANN et al, 2005). 

Este modelo de atenção medicalizada perdura até os dias de hoje e torna o Brasil um país com um dos mais altos índices de cesáreas no mundo e com práticas obstétricas intensamente intervencionistas, que não asseguram a saúde da gestante e da criança no parto que possui a mulher como protagonista.  

Para tentar reverter às consequências geradas pela institucionalização do nascimento, dentre elas o afastamento da relação familiar, a tensão e o medo das gestantes frente a um procedimento normatizado e realizado tecnicamente, bem como minimizar a mortalidade materna, reduzir riscos e assegurar o respeito à cultura da gestante, foram desenvolvidas ações que visam assistir ao parto de uma forma diferenciada (BRUGGEMANN et al, 2005 e BRASIL, 2001). Surge, então, o conceito de atenção humanizada. 

Humanizar o processo do nascimento é utilizar conhecimentos, práticas e atitudes para a promoção de um parto saudável à gestante e ao bebê. Envolve ações como a transmissão de informação, a individualização da paciente, considerando que é um momento único e diferente para cada mulher, estabelecer relacionamento interpessoal, facilitar a presença do acompanhante, dentre outros (BRASIL, 2001). 

A presença do acompanhante é um direito da gestante garantido pela Lei n. 11.108, de 7 de abril de 2005, que obriga os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede própria ou conveniada, a permitirem a presença de um acompanhante escolhido pela parturiente durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato (BRUGGEMANN et al, 2005). Na prática, a vigência da Lei não garante sua implementação e por ser uma conquista relativamente recente, necessita da reorganização dos serviços de saúde e dos profissionais que vivenciam essa prática, os quais podem exercer resistência (BRUGGEMANN et al, 2007). 

Visto a necessidade de adaptação em decorrência de alterações relevantes no atendimento ao momento do parto, consideramos que além das mudanças físicas e nas concepções dos serviços de saúde, é imprescindível que haja a divulgação e o preparo da população frente a essa perspectiva de assistência à parturiente. Afinal, a mulher é ativa em seu trabalho de parto e deve conhecer o processo pelo qual está passando e os direitos e escolhas que possui neste momento.

Ainda, consideramos que mulheres preparadas, juntamente com seus acompanhantes, vivenciam de forma adequada este processo complexo que envolve o nascimento. E para que os profissionais da saúde possam promover um ambiente adequado é necessário que busquem conhecimento e novas formas do pensar/fazer a assistência à parturiente. 


Texto escrito pelas monitoras do Programa Proficiência Gisele Cordeiro Castro e Vanessa Evelyn de Mello


Referências


BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/ Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001.


BRUGGEMANN, Odaléa Maria; PARPINELLI, Mary Angela; OSIS, Maria José Duarte. Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.21, n.5, out. 2005.


BRUGGEMANN, Odaléa Maria; OSIS, Maria José Duarte; PARPINELLI, Mary Angela. Apoio no nascimento: percepções de profissionais e acompanhantes escolhidos pela mulher. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.41, n.1, fev. 2007.


KITZINGER S. Mães: um estudo antropológico da maternidade. Lisboa: Editorial Presença; 1996.




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Intoxicação por Agrotóxicos: a importância da notificação compulsória

Diversos estudos desenvolvidos apontam que atualmente o Brasil é o oitavo maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Dentre os produtos mais utilizados e comercializados no país, destacam-se os inseticidas, herbicidas e fungicidas (SOUZA et al., 2011; FARIA; ROSA; FACCHINI, 2009).

A utilização exacerbada deste tipo de recurso no meio rural tem sido amplamente relacionada às intoxicações ocupacionais. Os agrotóxicos contaminam os trabalhadores por meio do contato direto com pesticidas durante seu manuseio, seja por inalação ou por absorção cutânea. Além disso, a contaminação pode estar relacionada ao consumo de alimentos produzidos e cultivados com a ajuda deste tipo de substância, ou mesmo em decorrência da contaminação indireta ligada ao meio ambiente, quando há contaminação do solo, rios, coleções d'água, entre outros (SOUZA et al., 2011). 

Dentre os prejuízos advindos da intoxicação por agrotóxicos ocorre a “diminuição das defesas imunológicas, anemia, impotência sexual, cefaleia, insônia, alterações de pressão arterial, distimias e distúrbios de comportamento” (SOUZA et al., 2011, p. 3520). 

Muitos dos sintomas relacionados à intoxicação por agrotóxicos são difíceis de serem relacionadas à exposição, tendo em vista a ocorrência de sintomas agudos e crônicos. Mesmo após o término do contato com determinados agentes, verifica-se que ainda podem ocorrer metabólitos ativos no organismo, principalmente aqueles altamente lipossolúveis, que se depositam em tecido adiposo aumentando a meia vida dos pesticidas (SOUZA et al., 2011). 

Torna-se necessária a constante atenção quanto aos sinais de intoxicações, já que está relacionado na Portaria Nº 104 de 25 de janeiro de 2011, como um agravo de notificação compulsória, a qual deve ser realizada sempre que ocorrerem casos, independentemente de que nível de assistência forem verificados. A notificação das “Intoxicações Exógenas” inclui a intoxicação por agrotóxicos, juntamente com outros 44 agravos e/ou doenças no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) (BRASIL, 2011).

A notificação de casos torna-se constantemente difícil, e tem constituído um grande desafio para as pesquisas relacionadas, também pelo fato de que para muitos casos, principalmente os relacionados aos trabalhadores, a exposição costumeiramente é multiquímica, sendo que para muitas das situações não existem biomarcadores disponíveis para comprovação diagnóstica, o que mostra a importância de uma coleta de informações completa. O relato do cliente é muitas das vezes o meio pelo qual o profissional de saúde consegue identificar uma intoxicação por agrotóxicos, ou mesmo levantar a suspeita para tal (FARIA; ROSA; FACCHINI, 2009).

Essa Portaria também indica quais são os profissionais responsáveis pela sua ocorrência, incluindo o profissional da enfermagem. Além disso, a vigilância local deve estar sensibilizada no sentido de que sejam feitas investigações de casos confirmados e suspeitos, comunicando-os à autoridade sanitária, para que medidas de intervenção possam ser programadas e implementadas pela gestão municipal, estadual ou federal (BRAGA; WERNECK, 2009; BRASIL, 2011; BRASIL, 2009).

Neste sentido, ressalta-se a importância do profissional de enfermagem na identificação contínua de casos suspeitos e confirmados de intoxicações relacionadas aos agrotóxicos, haja vista a atual situação brasileira quanto ao uso e consumo deste tipo de recurso. Sabemos que, além do cuidado assistencial direto, a enfermagem assume também o posicionamento de constante vigilância e repasse de informações, por meio da vigilância epidemiológica e sanitária. 

A vigilância epidemiológica deste tipo de agravo constitui uma maneira pela qual todos os profissionais da saúde podem atuar juntamente com o Estado no monitoramento de condições de trabalho insalubres no campo, além de uso indevido dessa substância tão perigosa à saúde de todos durante o cultivo de alimentos.

Vale a pena refletir acerca desta temática sob a ótica de profissionais de saúde, também tendo em vista a crescente necessidade de realização de programas de educação em saúde, bem como a construção de fóruns e pesquisas relacionadas ao uso de substâncias que deflagram tamanho risco à saúde pública.


Texto escrito pelas monitoras do Programa Proficiência Talita Candida Castro e Marilene Honorato Da Silva Carlin


Referências Bibliográficas


BRAGA, J.U.; WERNECK, G. L. Vigilância Epidemiológica. In: MEDRONHO, R. A. e cols. Epidemiologia. 2. ed., São Paulo; Rio de Janeiro; Belo Horizonte. Atheneu. 2009. p. 103-121.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 104, de 25 de janeiro de 2011. Define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme o disposto no Regulamento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005), a relação de doenças, agravos e eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional e estabelece fluxo, critérios, responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saúde. Brasília, 2011. p. 37-38. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt0104_25_01_2011.html> Acesso em: 03 fev. 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7 ed. Brasília, 2009. Disponível em: < http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/gve_7ed_web_atual.pdf>. Acesso em: 03 fev.2012

FARIA, N. M. X.; ROSA, J. A. R. da; FACCHINI, L. A. Intoxicações por agrotóxicos entre trabalhadores rurais de fruticultura, Bento Gonçalves, RS. Revista de Saúde Pública. v.43, n.2, p. , 2009. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102009000200015&lang=pt&tlng=pt>. Acesso em: 02 fev. 2012.

SOUZA, A. de; MEDEIROS, A. dos R.; SOUZA, A. C. de; WINK, M.; SIQUEIRA, I. R.; FERREIRA, M. B. C.; FERNANDES, L.; HIDALGO, M. P. L.; TORRES, I. L. da S. Avaliação do impacto da exposição a agrotóxicos sobre a saúde de população rural. Vale do Taquari (RS, Brasil). Rev. Ciência & Saúde Coletiva. v.16, n.8, p.3519-3528. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/csc/v16n8/a20v16n8.pdf>. Acesso em: 31 jan. 2012.

SOUZA, R. M. Agrotóxicos e o Caráter Predatório do Capital. 30 set. 2010. São Paulo. Disponível em: http://feab.wordpress.com/tag/agrotoxicos/. Acesso em: 31 jan. 2012.



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Alertas à saúde do homem

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem foi lançada em 2009, pelo Governo Federal, com o objetivo de facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde, pois o Ministério da Saúde considera a estratégia de prevenção a mais efetiva e segura.

O grande problema é que cuidar da saúde tornou-se uma questão cultural. Enquanto as mulheres aprendem, desde cedo, que é preciso ir regularmente ao ginecologista - e depois, quando se tornam mães, que é preciso levar os bebês ao pediatra -, os homens são criados sem esse hábito. Como consequência, muitos deles sofrem com males que poderiam ser evitados com atitudes preventivas.

No Brasil, as doenças que mais afetam o sexo masculino são um problema de saúde pública, como câncer, diabetes, colesterol, pressão arterial elevada e doenças do coração. Os problemas cardiovasculares estão entre as principais causas de morte - e entre os homens a incidência é maior. A prevenção pode ser feita com checkup periódico para controle dos fatores de riscos. Todos esses males podem ser ocasionados ou agravados pelo consumo excessivo de bebida alcoólica e cigarro.

O câncer de próstata é o mais frequente no homem e representa mais de 40% dos tumores que atingem o sexo masculino em idade superior a 50 anos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se que 50 mil novos casos aparecem por ano no Brasil.

As consultas ao urologista devem ser iniciadas aos 45 anos, mas se houver casos da doença na família, a primeira visita deve ser antecipada aos 40 anos. Segundo especialistas, o diagnóstico é feito em três etapas. A primeira é um bate papo sobre os possíveis sintomas, depois o paciente faz o Antígeno Prostático Específico - PSA (exame que mede a taxa de antígeno prostático no sangue – o qual não pode ser superior a 4ng) e por último, é realizado o exame com toque retal. 

Se os exames estiverem alterados, o médico solicita uma biópsia da próstata, a qual é realizada através de um aparelho de ultrassom que detecta pontos suspeitos e colhe amostras do tecido para confirmar a doença e seu estágio. O câncer de próstata geralmente apresenta evolução lenta, e não produz sintomas na fase inicial, por isso é tão importante ir anualmente ao médico. 

Feito o diagnóstico precoce do câncer de próstata, inicia-se o tratamento e o paciente apresenta um bom prognóstico de cura. 

Além do câncer de próstata, outros fatores como alcoolismo e tabagismo representam risco à saúde dos homens. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de dois bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas no mundo. Os homens iniciam precocemente o consumo de álcool e, por isso, tendem a beber mais e a ter mais prejuízos em relação à saúde do que as mulheres. A prevalência de dependentes de álcool também é maior para o sexo masculino: 19,5% dos homens são dependentes de álcool, enquanto 6,9% das mulheres apresentam dependência.

Em relação ao tabagismo - considerado pela OMS a principal causa de morte evitável em todo o mundo -, os homens também usam cigarros com maior frequência do que as mulheres, o que acarreta maior vulnerabilidade às doenças cardiovasculares, pulmonares, bucais, câncer, entre outras. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% da população masculina e 12% da feminina fumam no mundo. 

Portanto, se você é homem, fuja desse paradigma, cuide bem da saúde e consulte o médico regularmente. E, como profissional de enfermagem, enfatize esses alertas em sua atuação profissional! Lembre-se, a vida é o bem mais importante que possuímos e não vale a pena entrar para as estatísticas das doenças.


Texto redigido pelos monitores do Programa Proficiência Bruno Torres de Melo e Kelly Christina de Alencar Dias.


Referências:


GOMES R. Sexualidade masculina e saúde do homem: proposta para uma discussão. Ciência Saúde Coletiva 2003, v. 8, p.825-9.

GOMES R, NASCIMENTO EF, ARAÚJO FC. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad. Saúde Pública, vol.23, nº 3, Rio de Janeiro, Março 2007.

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censos Demográficos e Contagem Populacional para os anos intercensitários. Estimativas preliminares dos totais populacionais, estratificados por idade e sexo pelo MS/SE/Datasus. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/estimativa2008/metodologia.pdfAcesso em 16/02/2012.

SCHRAIBER LB, GOMES R, COUTO MT. Homens e saúde na pauta da saúde coletiva. Ciência e Saúde Coletiva, v. 10, n. 1, p.7-17, 2005.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Formulação de Políticas de Saúde - Políticas de Saúde. Metodologia de Formulação, Brasília, 1998.




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Atuação do enfermeiro diante da morte encefálica

De acordo com alguns dicionários a palavra morte tem um significado simples e com poucas palavras: o fim da vida,. Mas para a sociedade não é tão fácil assim, principalmente quando se trata de um conhecido ou uma pessoa muito próxima. 

A maioria das pessoas entende a ausência de incursões ventilatórias ou de batimentos cardíacos, de forma cartesiana, como a iminência da morte. Porém, o que nos faz humanos é a atividade vigorosa e incessante de trilhões de neurônios localizados no encéfalo. Deste modo, morte encefálica (ME) é a parada total e irreversível das funções encefálicas. 

Como o cérebro é o órgão mais sensível à privação de oxigênio e de perfusão, a sua função pode ser irremediavelmente perdida, apesar da preservação de outras funções orgânicas. Devido a este fato é que a situação se torna mais difícil e incompreensível para os familiares do paciente, pois há morte encefálica - apesar de outros órgãos como coração, pulmões e rins continuarem em pleno funcionamento, por meio do suporte de drogas, ventilação mecânica e outros (MORATO, 2009).

Os autores complementam que é necessário que todo profissional de saúde esteja familiarizado com o conceito de morte encefálica, para que a aplicação da tecnologia na sustentação da vida seja benéfica, individual e socialmente comprometida, e não apenas promovedora de intervenção inadequada, extensão do sofrimento e angústia familiar e prolongamento inútil e artificial da vida.

Inicialmente, deve-se definir a causa do coma para levantar a hipótese de morte encefálica. As causas mais frequentes são o traumatismo crânio encefálico (TCE), no contexto de acidentes automobilísticos ou agressões; hemorragia subaracnóidea, ligada à ruptura de aneurisma; lesão difusa do cérebro após parada cardiorrespiratória revertida; entre outras causas. (ANDRÉ, apud GUETTI e MARQUES, 2008).

O diagnóstico de morte encefálica é estabelecido com base em critérios clínicos, porém sua confirmação exige a realização de exames complementares e o respeito a alguns pré-requisitos obrigatórios, que são: lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de provocar o quadro, ausência de distúrbio hidroeletrolítico, acido básico ou endócrino grave, assim como de intoxicação exógena e hipotermia.

Para o diagnóstico, faz-se necessária a execução de dois exames clínicos, com intervalo de no mínimo seis horas entre eles, realizados por profissionais médicos diferentes e não vinculados à equipe de transplantes. É obrigatória a comprovação, por intermédio de exames complementares (arteriografia cerebral, Doppler, eletroencefalograma, gasometria venosa da jugular interna), de ausência de perfusão, atividade elétrica ou metabolismo cerebral.

Os exames clínicos feitos para detectar a ausência de reflexos do tronco cerebral, são: avaliação pupilar (devem estar fixas, sem resposta fotomotora), reflexo córneo palpebral, teste óculo cefálico (olhos de boneca), teste óculo-vestibular, reflexo traqueal (ausência de tosse, expectoração, vômito). E um dos últimos exames a serem feitos para diagnosticar a morte encefálica é o teste da apneia, onde esta é definida pela ausência de movimentos respiratórios espontâneos após estimulação máxima do centro respiratório por uma PaCO2 igual ou maior que 55 mmHg.

Ao ser estabelecido o diagnóstico de morte encefálica, tem início, imediatamente, o esclarecimento aos familiares sobre o que ela significa e a perspectiva de que é possível a doação humanitária de órgãos e tecidos (MORATO, 2009).

Uma das condutas do enfermeiro é a notificação do diagnóstico à central de transplante, obrigatória por lei, e nesse momento devem se iniciar também os exames de classificação do potencial doador (MORATO, 2009). 

Considerando que o processo de doação de órgãos e tecidos para transplante se inicia no hospital que notificou a morte encefálica, a Resolução Cofen nº 292/2004, diz que ao Enfermeiro incumbe planejar, executar, coordenar, supervisionar e avaliar os procedimentos de enfermagem prestados aos doador de órgãos e tecidos, através dos seguintes procedimentos:


a) Notificar as Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos-CNNCDO, a existência de potencial doador;

b) Entrevistar o responsável legal do doador, solicitando o consentimento livre e esclarecido por meio de autorização da doação de órgãos e tecidos, por escrito;

c) Garantir ao responsável legal o direito de discutir com a família sobre a doação, prevalecendo o consenso familiar;

e) Aplicar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no processo de doação de órgãos e tecidos;

f) Documentar, registrar e arquivar o processo de doação/transplante no prontuário do doador, bem como, do receptor.


Dessa forma, profissional de enfermagem, precisamos conduzir nossas ações de acordo com o exposto por Guetti e Marques (2008), de que um único potencial doador, em boas condições, pode beneficiar, através de transplantes de diversos órgãos e tecidos, mais de 10 pacientes. Além disso, para que um potencial doador se torne um doador efetivo, e que o maior número de órgãos sejam aproveitados, é necessário uma adequada preservação e posterior viabilidade destes órgãos até a extração.

Nesse sentido, o apoio da equipe de enfermagem e a execução das atividades privativas do enfermeiro conduzirão a adoção de condutas clínicas adequadas ao potencial doador, com vistas ao cuidado dos receptores, ações estas movidas pela intenção em ajudar as pessoas que requerem transplantes de órgãos e tecidos a obterem qualidade de vida.


Texto escrito pelas monitoras do Programa Proficiência Eliane Andreatta e Jeniffer Botellho


REFERÊNCIAS

GUETTI N.R., MARQUES I.R. Assistência de enfermagem ao potencial doador de órgãos em morte encefálica. Rev Bras Enferm, Brasília 2008 jan-fev; 61(1): 91-7.

LAMB D., CURBELO J., DIAS R. C.. Ética, morte e morte encefálica ,tradução, atualização, adaptação, edição – São Paulo: Office Editora, 2001.

MORATO, E.G. Morte encefálica: conceitos essenciais, diagnóstico e atualização. Rev Med Minas Gerais 2009; 19(3): 227-236.

COFEN. Resolução 292/2004. Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4328.  Acesso em 01/02/2012



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Atendimento hospitalar à vítima de violência sexual

A violência sexual se refere às condutas que envolvem relações sexuais não consentidas ou que limitem o direito sexual e reprodutivo, seja por aborto ou impedimento do uso de método contraceptivo.

Para o atendimento a violência sexual ocorrida em menos de 72 horas, a estrutura hospitalar é a mais adequada para prestar o atendimento a essas vítimas. Assim, a assistência visa à aplicação de um conjunto de procedimentos para a prevenção da ocorrência de DST/Aids e a gravidez indesejada. 

Além disso, pode ser solicitado pela autoridade policial ou judiciária a realização de exame pericial, antes mesmo de realizar os procedimentos próprios ao atendimento à saúde. Isso significa que tais procedimentos devem ser realizados o mais rapidamente possível, para garantir proteção à vítima e, paralelamente, evitar que os procedimentos médicos inviabilizem o exame de corpo de delito, fundamental para instrumentalizar a ação policial e judicial. 

Outro ponto importante é que o atendimento deve ser realizado em conjunto com os demais profissionais de saúde disponibilizados neste atendimento (médico, psicólogo, assistente social, p.ex.), para evitar que a vítima tenha que repetir o relato dos fatos que lhe trazem dor e sofrimento emocional, o que pode equivaler a nova violência.

Os hospitais de referência devem atender as vítimas de violência sexual encaminhada por serviços de sua região de abrangência, pelas delegacias ou por procura direta. 

Nos casos em que a vítima não possuir a requisição dos exames periciais junto à Delegacia da Polícia Civil previamente designada, o profissional de saúde deve solicitar a presença do médico legista para realização de exames clínicos e laboratoriais. 

Não são recomendadas a higiene e a remoção das roupas ou secreções antes do exame do perito, a não ser que haja ameaça de vida.

O principal papel da equipe de enfermagem no atendimento é o de acolher, estabelecer vínculo e relação de confiança com a vítima.

No momento do atendimento, o profissional deve considerar a história clínica da vítima, de acordo com a descrição do relato, realizar exame físico completo, incluindo o exame ginecológico ou perianal, com a descrição das lesões e sua localização específica. 

Devem-se registrar no prontuário os diagnósticos e as intervenções de enfermagem, além do registro da data da ocorrência e todos os achados clínicos e emocionais da usuária, de maneira mais detalhada possível, com destaque para o(s) tipo(s) de violência sofrida.

A contracepção de emergência nas usuárias em idade fértil também deve ser providenciada, principalmente àquelas que não estejam usando contraceptivo eficaz ou na impossibilidade de avaliar o método contraceptivo em uso. Junto a isto, deve-se realizar profilaxia das DST/Aids e Hepatite B, bem como o  preenchimento do formulário de dispensação de antirretrovirais e da Ficha de Notificação Compulsória de Violência Contra a Mulher.

O Enfermeiro tem o papel de avaliar o atraso menstrual das mulheres e discutir a possibilidade de gravidez, bem como orientar sobre o risco de infecção por DST/Aids e as medidas a serem tomadas, orientando a vítima para que retorne em caso de atraso menstrual e de outros sinais e sintomas de gravidez, sobre os procedimentos e os exames que serão realizados durante o acompanhamento até o momento da alta para a prevenção de DST/Aids, ressaltando a importância da lesão ao tratamento proposto. Deve ainda esclarecer a posologia das medicações prescritas e suas possíveis reações adversas.

É desejável que a vítima seja incluída, conforme a sua necessidade, em programas de atendimento específicos, como acompanhamento psicológico, monitoramento domiciliar programado, agendamento de consulta médica, encorajamento da realização da denúncia policial, caso ainda não a tenha feito, explicando a importância deste passo principalmente se houver gravidez e optar pelo aborto. 


Texto redigido pelas monitoras do Programa Proficiência Sonja Kero Laine Borges e Elizane Robinson Teixeira


REFERÊNCIA

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO PARANÁ. Atenção à Mulher em Situação de Violência para a Área da Saúde Paraná, linha guia. Curitiba, 2011.



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